A estreia de Rogério Ceni pelo São Paulo

No clube desde setembro de 1990, o goleiro estreou no time principal no dia 25 de junho de 1993, em uma excursão à Espanha. Curiosamente, a primeira partida do arqueiro são-paulino marcou também o fim de outra grande fase: Poucos dias antes, Raí despediu-se pela primeira vez do Tricolor, quando partiu rumo a Paris, após golear o Santos por 6 a 1. Quis o destino que o primeiro jogo do clube após o “até logo” do camisa 10 fosse justamente a estreia do camisa 01.

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Rogério Ceni estreou muito longe do Morumbi. Na intertemporada de 1993, o time foi à Europa disputar um torneio amistoso chamado Troféu Santiago de Compostela. Lá, na famosa cidade integrante dos “Caminhos Sagrados de Santiago”, a jornada santa do atleta teve início. O primeiro jogo foi contra o modesto Tenerife. Com ele, também estrearam o atacante Guilherme e o meio-campista Juninho – O primeiro marcou quatro gols na partida!

Na época, o Zetti estava na Seleção Brasileira e surgiu a oportunidade de estrear. Quando viajei para a disputa do torneio, eu esperava ficar no banco, mas na preleção fui informado que iria para o jogo. Fiquei muito contente e ansioso, porque tinha apenas 20 anos de idade e iria defender o São Paulo pela primeira vez“, relembrou Rogério Ceni.

E começou da melhor maneira possível: um pênalti defendido logo na estreia e outro na partida que valeu o primeiro título profissional da carreira do ídolo. Prêmio ainda maior foi ser reverenciado, de joelhos, pelo vitorioso Toninho Cerezo, que atribuiu aquela conquista ao novato.

Quando defendi o pênalti contra o Tenerife ganhei mais confiança e daí em diante fui me firmando. Na final contra o River, consegui pegar mais um pênalti e fomos campeões. Estrear, pegar duas cobranças seguidas e ganhar um torneio internacional foi muito importante para mim“, disse Ceni, referindo-se também a decisão do Torneio de Santiago de Compostela, contra o River Plate, realizado no dia 27, dois dias depois da estreia, onde o Tricolor venceu por 4 a 3 nos pênaltis, após 2 a 2 no tempo normal. As defesas de pênalti de Rogério foram essenciais para a conquista. E foram as duas primeiras de 51 cobranças de pênaltis defendidas em toda a carreira do goleiro.

Após esses primeiros passos, Rogério Ceni ficou ainda por mais três anos no banco de reservas do Tricolor. Em 1997, assumiu a titularidade da posição. No mesmo ano, marcou o primeiro gol da carreira. E não somente: mais de mil jogos (1237), mais de uma centena de gols (131) e 12 títulos conquistados dentro de campo, além de vários recordes mundiais e uma única certeza: a de ter marcado o próprio nome na história do São Paulo Futebol Clube e do futebol mundial.

SÃO PAULO 4 x 1 TENERIFE

Local: Estádio Municipal San Lázaro, Santiago de Compostela (ESP)
Data: 25/06/1993
Árbitro: Puentes Leira de Ferrol (Espanha)
Público: 2 mil pessoas
Gols: Guilherme (4) 

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Vítor, Lula, Ronaldão © (Gilmar, 37/2) e Ronaldo Luís (Marcos Adriano, 37/2); Pintado, Dinho, Toninho Cerezo (Juninho, 25/2) e Gustavo Matosas; Douglas (Jamelli, 37/2) e Guilherme. Técnico: Márcio Araújo.

TENERIFE: Agustín; Llorente, Toño, Matta (Toni) e Berges; César Gómez ©, Chano, Felipe e Quique Estibaranz; Castillo e Dertycia. Técnico: Jorge Valdano.

Por Michael Serra / Arquivo Histórico João Farah

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