Gosto de Lula.
É um bom sujeito.
Talvez se saísse melhor fazendo outra coisa.
Mas tanta gente sem preparo se sentou na cadeira de presidente da República do Brasil, não foi? E tanta gente preparada sentou e deu-se mal, não foi?
A primeira vez que vi o Lula ele estava entrando preso na camionete do DOPS paulista que foi buscá-lo em São Bernardo do Campo. Havia liderado a famosa greve de 1980 que paralisou fábricas do ABC e fez 40 mil metalúrgicos cruzarem os braços.
Encontrei-o mais tarde no DOPS. Ali foi bem tratado pelo delegado Romeu Tuma, atual senador do PFL.
Eu era editor assistente de política da revista Veja.
Depois cobri o julgamento dele na Auditoria Militar. Foi condenado, mas acabou absolvido em Brasília.
Estive com eles muitas vezes desde então – nenhuma depois que assumiu a presidência da República.
É complicado esse negócio de você ter que se aproximar das pessoas atrás de notícias e depois ser obrigado a falar mal delas.
Intimidade demais só produz filhos e constrangimentos, observou certa vez o ex-presidente Jânio Quadros. Tinha razão.
De resto, o poder é sedutor. Muito sedutor. Gosto de examiná-lo a prudente distância.
(Publicado aqui em 30 de março de 2005)